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porGAS Porto
fonteGAS Porto
a 26 AGO 2013

Casa Aberta às Crianças

A Casa Aberta às Crianças em Aileu, Timor-Leste, nasceu em 2008 numa cooperação entre um Instituto Católico timorense - ISMAIK – e uma ONGD portuguesa – G.A.S.Porto, com o objetivo de garantir a todas as crianças o acesso à educação.

Necessidade identificada: Estima-se que apenas 1/3 das crianças timorenses em idade escolar frequentam a 1.ª classe com 6 anos. Cerca de ½ das crianças que frequentam o 3º ano estão 3 anos acima da faixa etária considerada apropriada para esse ano. As escolas não oferecem salas-de-aula apropriadas e não têm acesso a certos recursos, (água potável, sistemas de saneamento e higiene). Os professores da 1.ª classe são normalmente os mais novos, menos qualificados e com menos experiência, e lecionam as turmas mais numerosas (mais de 45 alunos). Metade das crianças abandonam os estudos no 3.º ano e estima-se que um aluno, em média, precise de 12 anos para completar 6 anos de escolaridade. Apenas 43% da população em idade escolar completa a educação primária.

A falta de formação da população, os mitos associados à criança e interligados com os ritos tradicionais e toda a reorganização atual do sistema de educação, levou a que os Jardins-de-Infância ficou para 2.º plano. Contudo, é do conhecimento comum que, quanto mais cedo começar a educação de uma criança, maiores são as hipóteses de esta suceder no futuro. Além disso, a pobreza neste país recém-constituído, tem um impacto incontornável na vida humana. Para além do seu subdesenvolvimento físico, as crianças têm também graves problemas de desconcentração, dislexia, falta de memória, apatia, atraso na fala, deficiências na motricidade fina e a ausência de imaginação.      

Descrição do Projeto: A Casa Aberta às Crianças é constituída por um Jardim-de-Infância (As Sementinhas) e um ATL (Escola do Amor). As Sementinhas acolhe 50 crianças em idade pré-escolar (4-6 anos), oriundas da comunidade de Aileu. Aqui as crianças aprendem hábitos de leitura, escrita, desenvolvem a capacidade de raciocínio e de concentração, aprendem a amar os colegas, os animais e a terra, e que nada se faz sem esforço. Às crianças é dada uma refeição diária para colmatar os problemas de má nutrição. Devido à falta de informação e à situação económica familiar, a escola é o único local onde a escovagem é obrigatória, juntamente com o lavar das mãos antes das refeições.

A Escola do Amor conta com 30 crianças e tem por objetivo aproveitar, de forma lúdica e educativa, o tempo disponível das crianças. A par do ensino de Português e Inglês, e de noções básicas de Matemática, desenvolvem-se atividades manuais e lúdicas que são apresentadas no âmbito de uma abordagem temática para que possam aprender enquanto “brincam”. 

Resultados Obtidos: Tínhamos um sonho e quisemos concretizá-lo sem recursos materiais, humanos e financeiros. Graças à abertura da Casa Aberta a nível regional, nacional e internacional, temos hoje salas bem equipadas com materiais e infraestruturas que favorecem a aprendizagem. O Ministério da Educação de Timor-Leste tem reconhecido o nosso trabalho, apoiando com alimentação e material escolar.

O contacto com outras escolas permitiu-nos proporcionar formação profissional às 4 professoras que são já capazes de oferecer um ensino de qualidade. Ao longo de todo o processo conseguimos envolver a comunidade local e encorajar os encarregados de educação a participarem ativamente.

As crianças que finalizam o Jardim-de-Infância e entram na 1.ª classe apresentam resultados acima da média, e o aproveitamento escolar das crianças do ATL é superior aos dos restantes colegas.

Pontos fortes e fracos do Projeto: Um dos pontos fortes deste projeto é o de termos desenvolvido um programa baseado na cultura, tradições e valores timorenses. Além disso, recorremos a produtos locais: flores e folhas para a produção de tinta, mandioca para cola e barro para pasta-de-dentes. Contribuímos para a redução de custos, e também ensinamos as crianças a usarem os materiais que têm perto de si.

É de salientar ainda que o funcionamento diário da Casa Aberta já decorre sem a presença do G.A.S.Porto. No entanto, o projeto continua a estar dependente de ajuda financeira externa para o pagamento dos salários das professoras e outras despesas menores.

(Artigo escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico)

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