| NEWSLETTER Nº 68 . 26 MARÇO 2026 | |||||||||||||||||
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Nesta newsletter, partimos de um olhar global sobre o estado das nossas democracias, a partir do relatório State of Civil Society 2026 da CIVICUS, que evidencia um preocupante recuo democrático e restrições ao espaço cívico. Num contexto em que o desânimo é instrumentalizado como estratégia de poder, importa sublinhar que persistem formas de resistência eficazes – da mobilização nas ruas às vitórias legais – que demonstram que a ação coletiva e as redes globais continuam a ser capazes de gerar impacto real. Este retrato contemporâneo convida-nos também a revisitar raízes históricas profundas das desigualdades que ainda hoje marcam as nossas sociedades. Como explica a Prof. Isabel Castro Henriques, os preconceitos raciais em Portugal têm origens que remontam ao século XV, com a presença de africanos escravizados, tendo sido reforçados ao longo dos séculos por construções culturais, científicas e ideológicas. Estes estereótipos, longe de pertencerem apenas ao passado, continuam a influenciar dinâmicas de discriminação no presente. Ao mesmo tempo, enfrentamos desafios globais que agravam vulnerabilidades já existentes. A Médicos do Mundo alerta para o impacto crescente dos fenómenos meteorológicos extremos na saúde pública, especialmente em contextos mais frágeis. Cheias, tempestades e outros eventos extremos comprometem o acesso a água, saneamento e cuidados de saúde, evidenciando a necessidade de respostas integradas que articulem políticas de saúde, ambiente e proteção social, com foco na prevenção e resiliência. Por fim, ao assinalar o Dia Internacional das Mulheres, somos confrontados com um percurso feito de avanços, mas também de persistentes desigualdades nos direitos das mulheres. A violência de género mantém-se estrutural e disseminada, enquanto o trabalho de cuidado continua invisível e desvalorizado. A igualdade de género revela-se, assim, inseparável da qualidade das nossas democracias, exigindo mais do que compromissos formais: requer políticas concretas, consistência e vontade política para garantir que ninguém fica para trás. |
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