menu

02 jun 2026 Fonte: Animar – Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Local Temas: Advocacia Social e Política, Capacitação institucional / comunitária, Cidadania e Participação, Economia solidária / alternativa / Microcrédito, Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, Sociedade Civil, Agenda 2030

No Dia Internacional das Cooperativas, celebrado anualmente no primeiro sábado de julho, consideramos essencial sublinhar o papel que a economia social continua a desempenhar na construção de sociedades mais justas, coesas e sustentáveis. Esta é uma data que nos convida não apenas à celebração, mas também à reflexão sobre o caminho percorrido, os desafios que permanecem e o futuro que está por vir.

A economia social em Portugal evidencia hoje uma relevância crescente. De acordo com os últimos dados da Conta Satélite da Economia Social, existiam 73.851 entidades de economia social em 2020, das quais 2.153 cooperativas, representando cerca de 5,9% do emprego remunerado e 3,2% do valor acrescentado bruto nacional. De referir ainda que, o setor representava 5,2% do emprego total e 5,0% das remunerações. Estes dados confirmam a importância do setor da economia social enquanto pilar de coesão social, criação de emprego e desenvolvimento territorial.

Inspiramo-nos num legado sólido. Desde os princípios dos Pioneiros de Rochdale ao pensamento de António Sérgio, que em Portugal afirmou a centralidade da cooperação no desenvolvimento social, o movimento cooperativo tem demonstrado a sua capacidade de responder a necessidades concretas das comunidades e dos territórios. Também a nível internacional, referências como Charles Gide ou o trabalho da Aliança Cooperativa Internacional continuam a afirmar a relevância de um modelo assente na solidariedade, na participação democrática e na responsabilidade coletiva.

E importa, a este propósito, destacar os contributos do setor cooperativo que continua a demonstrar a sua relevância económica: as 100 maiores cooperativas portuguesas ultrapassaram os 3,5 mil milhões de euros de volume de negócios, evidenciando o seu contributo para a economia nacional.

Em Portugal, o percurso do cooperativismo tem sido consolidado por instituições como a CONFECOOP – Confederação Cooperativa Portuguesa CCRL., a CONFAGRI – Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas e do Crédito Agrícola de Portugal CCRL., e em particular a CASES – Cooperativa António Sérgio para a Economia Social, cujo papel e legado reconheço como essencial. Ao longo dos últimos anos, a CASES tem contribuído de forma consistente para a produção de conhecimento, capacitação das organizações e valorização da economia social enquanto eixo estratégico do desenvolvimento nacional.

Na Animar – Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Local, partilhamos esta visão. Acreditamos que o desenvolvimento só é plenamente sustentável quando assenta na participação e envolvimento das pessoas, das comunidades e na valorização dos territórios. É com este compromisso que temos vindo a intervir, através do envolvimento em programas diversos e complementares como o PESSOAS 2030, o Desenvolvimento Local de Base Comunitária (DLBC/LEADER), bem como em iniciativas de capacitação de organizações, promoção do empreendedorismo social e dinamização de redes locais.

Ao longo deste percurso, que já conta mais de 30 anos, temos procurado que a rede Animar contribua para que a economia social seja cada vez mais um espaço de inovação e de resposta aos desafios estruturais, particularmente em territórios de menor densidade.

Estamos convictos de que, num contexto marcado por profundas transformações sociais, económicas e ambientais, a economia social — e o modelo cooperativo em particular — representa não apenas uma resposta, mas uma oportunidade. Uma oportunidade para reforçar a coesão social, promover a participação cidadã e construir soluções mais equilibradas e sustentáveis.

Neste dia, importa igualmente reconhecer o esforço de todas as organizações, dirigentes, equipas técnicas e voluntários que dão vida diariamente a este setor, bem como reafirmar o nosso compromisso com o futuro.

E, apesar do cenário de incerteza sobre o futuro da CASES, em consequência da decisão da retirada do Estado, a Animar enquanto cooperador da CASES considera imperativo que o Estado e o setor continuem próximos, em estreito diálogo e cooperação, a trabalhar em rede, a fortalecer parcerias e a valorizar o papel das comunidades.

Estamos certos de que é na cooperação que encontramos as respostas mais duradouras. Nesse caminho, a proximidade, o diálogo e a colaboração entre o Estado e o setor da economia social continuará a ser fundamental, enquanto espaço de articulação, conhecimento e projeção da economia social em Portugal.

Porque é, em última instância, nas pessoas e na sua capacidade de cooperar, que reside a base de um desenvolvimento mais justo e mais humano.

 

Artigo por:

Célia Pereira, Presidente da Direção da Animar

Ponta Delgada, 2 de junho de 2026

Acompanhe o nosso Trabalho.

subscrever newsletter