menu

23 jun 2026 Fonte: Plataforma Portuguesa das ONGD Temas: Advocacia Social e Política, Ajuda Pública ao Desenvolvimento, Cidadania e Participação, Cooperação para o Desenvolvimento, Direitos Humanos, Educação e Formação, Educação para o Desenvolvimento e a Cidadania Global, Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, Agenda 2030

A 4ª edição da Academia do Desenvolvimento surgiu da convicção de que a Cooperação para o Desenvolvimento Portuguesa necessita, hoje mais do que nunca, de espaços de reflexão crítica, diálogo aberto e aprendizagem coletiva. Num contexto internacional marcado por profundas transformações, a Academia procurou reunir organizações da sociedade civil, academia, instituições públicas, empresas e outros atores relevantes para debater alguns dos principais desafios que atravessam o setor. 

O enfraquecimento do multilateralismo, o aumento dos conflitos armados, o agravamento das desigualdades, a emergência climática e a redução do espaço cívico em várias regiões do mundo colocam novos desafios à cooperação internacional e questionam modelos e pressupostos que durante décadas orientaram a ação para o desenvolvimento. Mais do que uma crise do desenvolvimento, assistimos a uma transformação profunda do contexto político, económico e social em que o desenvolvimento é pensado e implementado. 

Perante esta realidade, torna-se fundamental criar oportunidades para questionar práticas, revisitar conceitos e discutir o papel dos diferentes atores envolvidos na promoção da justiça social e do desenvolvimento sustentável. A Academia procurou precisamente responder a essa necessidade, promovendo conversas exigentes sobre temas frequentemente considerados difíceis ou desconfortáveis, mas indispensáveis para pensar o futuro do setor. 

Ao longo do dia foram abordadas questões como a descolonização do desenvolvimento, o papel político das organizações da sociedade civil, as relações entre desenvolvimento e defesa, a colaboração entre ONGD, empresas e universidades, o acesso ao mercado das multilaterais, a cidadania digital e o envolvimento das gerações mais jovens nas agendas de justiça social e climática. Com sessões questionadoras, outras de exploração, e ainda alguns formatos mais informativos, foi possível estimular uma reflexão crítica sobre as mudanças necessárias para tornar a cooperação mais justa, mais inclusiva, mais participativa e mais capaz de responder aos desafios contemporâneos. 

Foi precisamente dessa forma avaliada pelos participantes, que de uma forma geral destacaram a pertinência dos temas abordados e a diversidade de perspetivas presentes nos painéis, a qualidade das intervenções dos oradores e moderadores, o carácter crítico, participativo e reflexivo das diferentes sessões, e a oportunidade de contacto entre organizações, academia, instituições públicas e outros atores relevantes. Os contributos recebidos evidenciam que a Academia conseguiu cumprir o seu principal objetivo: criar um espaço de diálogo aberto sobre alguns dos desafios mais complexos que atualmente atravessam o Desenvolvimento Internacional e o papel das ONGD. Vários participantes evidenciaram, ainda, a coragem de abordar temas difíceis e de promover debates que colocam em causa as suas próprias práticas, pressupostos e modelos de atuação. 

Relativamente ao impacto da participação, as pessoas presentes referiram sobretudo o aprofundamento de conhecimentos, a aquisição de novas perspetivas sobre os desafios do setor e o reforço de oportunidades de aprendizagem e articulação entre organizações. Muitos destacaram a Academia como um dos poucos espaços existentes em Portugal para uma reflexão crítica e plural sobre o futuro da cooperação internacional. 

Por esse motivo, importa continuar a promover espaços que permitam questionar o setor, discutir temas complexos de uma forma transparente e construir coletivamente novas respostas para os desafios do desenvolvimento. Como resumiu um dos participantes, a Academia destacou-se pela sua capacidade de promover “conversas difíceis, com diferentes perspetivas, sem preconceitos nem tabus”. 

A Academia do Desenvolvimento afirmou-se, assim, como um espaço de encontro entre diferentes perspetivas, promovendo não apenas a partilha de conhecimento e experiências, mas também a construção coletiva de novas perguntas e caminhos para o futuro. Num momento de transição para o setor, a iniciativa procurou contribuir para reforçar a capacidade crítica, a colaboração entre atores e o compromisso com os valores da solidariedade, dos direitos humanos e da justiça global. 

Acompanhe os principais destaques da Academia AQUI

Acompanhe o nosso Trabalho.

subscrever newsletter