28 abr 2026 Fonte: Plataforma Portuguesa das ONGD Temas: Alterações climáticas e ambiente, Ajuda Pública ao Desenvolvimento, Ajuda Humanitária e de Emergência, Advocacia Social e Política, Capacitação institucional / comunitária, Cidadania e Participação, Cooperação para o Desenvolvimento, Direitos Humanos, Educação para o Desenvolvimento e a Cidadania Global, Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, Sociedade Civil, Agenda 2030
A Plataforma Portuguesa das ONGD é membro do Forus International, uma rede global de 74 plataformas nacionais de ONG de todos os continentes, que representa mais de 24.000 organizações da sociedade civil em todo o mundo.
O Forus trabalha para a defesa de um ambiente favorável às Organizações da Sociedade Civil (OSC) em todo o mundo, promovendo um desenvolvimento sustentável assente na implementação da Agenda 2030. Atua também na construção de um novo paradigma económico que respeite as pessoas e o planeta, através da transformação do sistema de financiamento do desenvolvimento. Paralelamente, dedica-se à governação digital, com foco na proteção dos direitos digitais e na regulação de tecnologias emergentes, como a Inteligência Artificial. Acima de tudo, no Forus acreditamos no poder da ação coletiva para a transformação social.
Uma rede vocacionada para Conectar, Influenciar e Apoiar os seus membros, o Forus promove uma relação de proximidade tanto com como entre as organizações que a integram. Procura conhecer as realidades locais de cada país, bem como os desafios e oportunidades que se colocam à sociedade civil, para que, em conjunto, as organizações possam fazer a diferença num mundo em convulsão, cada vez mais desigual e onde princípios como a justiça, a solidariedade, a igualdade e a cooperação são frequentemente desvalorizados. Ao promover a inteligência coletiva, o Forus trabalha na identificação de soluções que contrariem tendências globais de concentração de poder em lideranças autoritárias, que fragilizam a democracia, desrespeitam o direito internacional e enfraquecem o sistema multilateral construído há mais de 80 anos para proteger a humanidade das consequências da guerra e salvaguardar a paz.
Fotografia de Forus International
Assembleia Geral do Forus: uma semana extraordinária de reforço da rede e reflexão estratégica
No passado mês de março, mais de 80 participantes da sociedade civil mundial juntaram-se em mais uma Assembleia Geral (AG) do Forus, que decorreu em Siem Reap no Camboja (as anteriores AG aconteceram em 2018 e 2024, no Chile e no Botswana respetivamente). Este momento proporcionou uma oportunidade única para identificar e priorizar ações coletivas face aos desafios globais, fortalecer os laços entre os membros e aprofundar a compreensão mútua e o sentido de pertença à rede. Permitiu ainda debater os próximos passos para a implementação da Estratégia Forus 2026–2030 e, acima de tudo, aprender, refletir e partilhar experiências e perspetivas de forma enriquecedora entre todos os membros.
Fotografia de Forus International
A agenda da AG foi concebida por um Comité liderado pelos membros e pelos órgãos de governação do Forus, para assegurar que este importante momento cumpria os seus objetivos de forma estratégica, dinâmica e orientada pelas necessidades e prioridades dos membros, centrando-se no aprofundamento dos pilares organizacionais do Forus: Conectar, Influenciar e Apoiar.
Foram cinco dias intensos em que os membros se descobriram na sua diversidade, contactaram com as suas forças e dificuldades, ao mesmo tempo que se reforçaram as ligações e experienciou-se a participação inclusiva. Cada dia repleto de debates e oportunidades de troca de ideias; de escuta ativa e de partilha; de colaboração, confraternização e tomada de decisão; de reflexão estratégica e de aprendizagens a partir de exemplos de contextos locais de grande restrição à ação da sociedade civil.
Da reflexão à ação: estruturar a Influência do Forus
Para o reforço da dimensão Influenciar, assistiu-se a intervenções de enquadramento por parte de representantes da sociedade civil de todo o mundo, mas também de decisores, especialistas internacionais e financiadores, que permitiram identificar riscos-chave, oportunidades e exemplos concretos de toda a rede. Ouviram-se comunicações conhecedoras e inspiradoras sobre o contexto global e as tendências emergentes, sobre o atual ecossistema da cooperação para o desenvolvimento, que serviram de base a reflexões participativas sobre tensões estratégicas que orientaram as restantes sessões da AG, permitindo definir focos de ação coletiva e o envolvimento em espaços-chave como os âmbitos multilaterais e regionais, e temas como o financiamento do desenvolvimento, o espaço cívico e o panorama digital e da Inteligência Artificial (IA).
O envolvimento coletivo foi promovido, com o propósito comum de reforçar a rede Forus, promover a participação inclusiva e alinhar prioridades para a estratégia da rede 2026–2030. Através de conversas para colocar a “Influência em ação” e de exercícios interativos, sonharam-se sucessos futuros e identificaram-se resultados mais significativos a alcançar aos níveis nacional, regional e global. Transitou-se das prioridades ao poder, com exercícios de mapeamento de poder, identificação de atores-chave, contextos, canais e janelas de oportunidade necessárias para transformar os sistemas. Considerando o potencial de influência nacional, regional e global da Forus, definimos linhas de trabalho de Influência da rede, para avançar de uma ambição partilhada para uma ação coordenada.
Os/as membros trabalharam em grupos temáticos centrados em desafios urgentes relativos ao i) ambiente favorável (restrições legais, segurança digital, financiamento/parcerias e combate a narrativas estigmatizantes); ii) ao tema do desenvolvimento sustentável e do financiamento (definição de prioridades, espaços de influência e aliados mais relevantes, e os papéis e o apoio necessários para transformar a ambição em impacto); iii) à angariação de fundos para o futuro. Foram definidas as contribuições que cada região entendeu poder aportar para a ação do Forus e para o seu roteiro global de Influência para os anos seguintes.
Fotografia de Forus International
Desenvolver capacidades e fortalecer a conexão da rede
Para Apoiar os seus membros, houve ainda momentos de definição de prioridades partilhadas de fortalecimento de capacidades para 2026–2030, com vista a aumentar o impacto coletivo das plataformas nacionais e das coligações regionais num contexto de pressões crescentes sobre o espaço cívico. Realizaram-se reflexões em grupo para explorar tendências e lacunas de capacitação existentes na rede, incluindo áreas como a governação de coligações, os sistemas de advocacy, o acesso a decisores, a mobilização de recursos, a segurança organizacional e a comunicação estratégica. Identificámos as capacidades essenciais que as plataformas deverão fortalecer até 2030 para construir coligações eficazes, fazer avançar posições coletivas e mitigar riscos em espaços cívicos cada vez mais condicionados.
Para o fortalecimento do pilar Conectar, foram ainda realizadas discussões interativas em pequenos grupos, em que se exploraram formas práticas de fortalecer os espaços de colaboração, de melhorar a comunicação direta em toda a rede e tornar a informação dos membros mais visível.
Cooperação, alinhamento regional e governação do Forus
Numa sessão organizada em colaboração com o Cooperation Committee of Cambodia (CCC), anfitrião desta AG, ficámos a conhecer o trabalho das organizações locais da sociedade civil no Camboja. Foram apresentadas as suas iniciativas, desafios e sucessos, ao mesmo tempo que se trocaram perspetivas sobre a forma como as redes internacionais como o Forus podem apoiar e amplificar o impacto local.
Fotografia de Forus International
Para aprofundar os três pilares do Forus (Conectar, Apoiar, Influenciar), foram realizadas reuniões por grupos regionais para traduzir a Estratégia Forus 2026–2030 em prioridades regionais de advocacy e em ações futuras concretas. A realização de uma discussão “europeia” (entre as Plataformas da Europa), permitiu definir melhor o papel de articulação da CONCORD (rede europeia da qual a Plataforma também é membro) com o Forus, tendo permitido debater ações conjuntas e identificar formas de reforçar mutuamente os papéis nacional, regional e global.
Fotografia de Forus International
A partir de uma conversa envolvente e inspiradora com Sam Worthington (ex-diretor executivo da InterAction, plataforma nacional de ONG nos EUA) sobre o seu mais recente livro, "Prisoners of Hope", baseado em décadas de experiência em desenvolvimento global e sociedade civil, refletiu-se sobre de que forma as ONG podem adaptar-se, transferir poder para os atores locais e manter-se relevantes num mundo em rápida transformação.
Como não podia deixar de ser, considerando tratar-se de uma AG, na sessão estatutária foi apresentado o relatório de atividades e contas 2025 do Forus e eleitos novos membros para o Conselho do Forus. Dentre os novos membros do Conselho, foi eleita a nova Presidente do Forus, Justina Kaluinaite, da Plataforma de ONGD da Lituânia.
Fotografia de Forus International
Como defendeu a Presidente do Forus, Justina Kaluinaite, numa entrevista recente, a sociedade civil deve assegurar o seu lugar na tomada de decisões políticas, “levando as vozes do terreno para os processos de tomada de decisão, para o trabalho de advocacy e para os espaços onde as decisões são tomadas”. Tudo “está a ser moldado agora — através da definição antecipada de agendas, construção de coligações, posicionamento político e disputas sobre quem pode participar e em que condições”.
Esta Assembleia Geral do Forus foi, por isso, mais um momento para reafirmar o poder da sociedade civil, para garantir que nada acontece sem a nossa participação, e que nos tornamos mais fortes pela ação coletiva e coordenada a nível global, independentemente dos contextos específicos, mas atuando em estreita comunhão e solidariedade para um mundo mais sustentável e justo e o reforço da democracia participativa em todos os lugares.